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Eu fui silêncio treinado, fui riso por obrigação,
fui passo calculado pra evitar explosão.
Mas eu vi no espelho a cena sem edição:
meus olhos pedindo socorro na própria expressão.
Eu fiz da culpa uma casa, da pressa uma prisão,
carreguei peso alheio como se fosse missão.
Até que a noite cansou de sustentar meu chão
e eu entendi: liberdade também é decisão.
E quando eu disse “chega”, não foi raiva, foi clarão,
foi eu voltando inteiro, sem pedir permissão.
A porta fez barulho, mas foi só a conclusão:
quem nasce pra ser fogo não aceita ser carvão.
Eu volto pro meu nome, pro meu pulso, pro meu tom,
ninguém mais me apaga, eu acendo meu farol.
Se o mundo fecha a cara, eu abro meu pulmão:
eu sou a minha casa, eu sou a salvação.
Eu aprendi uma coisa que ninguém te dá na mão:
paz não é prêmio, é treino, é uma reconstrução.
E o amor que presta não pede amputação;
ele soma a tua vida, não exige rendição.
Hoje eu ando leve, mas não por negação:
é porque eu vi o abismo e escolhi direção.
Se tentarem me dobrar, eu viro afirmação.
Se tentarem me calar, eu viro canção.

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