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Tem gente não ama você,
ama o reflexo daquilo que lhes serve.
São fiéis
não ao seu rosto,
mas à sombra
que dele recebem abrigo.
Enquanto você é ponte,
te atravessam com pressa;
quando vira ruína,
desviam o caminho.
A memória humana
é uma lâmina cega:
corta,
mas não conserva o fio.
Hoje te exaltam,
amanhã te chamam de peso.
E você, ainda tonto,
procura nos olhos delas
alguma centelha de gratidão
— não há.
Há apenas a fome.
A fome é o verdadeiro deus do homem.
Não espere lealdade
onde o instinto é o guia.
O mundo gira
com o eixo da utilidade:
quem não oferece,
desaparece.
Quem não serve,
some.
O amor?
Uma máscara
que o interesse veste
para parecer humano.
Aceite isso.
Sem drama,
sem rancor,
sem lágrima.
Aceite
como quem observa um corpo frio
e entende
que a vida já partiu.
A verdade não dói
porque é cruel;
dói
porque é lúcida.
Aprenda:
o sábio ajuda,
mas não se prende.
Estende a mão
— e guarda o coração.
Permite o uso,
mas não se deixa gastar.
O tolo oferece tudo
e implora lembrança;
o sábio oferece pouco
e permanece inteiro.
Não deseje fidelidade.
Deseje clareza.
Que fiquem
enquanto houver troca honesta,
e que partam
sem levar
o que é teu por dentro.
A ingratidão não é falha,
é natureza.
A sabedoria
é sobreviver a ela
sem se tornar igual.
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